quinta-feira, 27 de maio de 2010

AIDS



Por Ad. Júnior

Para tornar este espaço mais dinâmico e participativo, postarei ou pegarei emprestado o texto do nosso colega Ernani Fagundes que nos mostra um pequeno histórico da trajetória da Aids. Uma doença que está se expandindo e que cada vez mais precisamos de movimentos, campanhas, ações educativas nas escolas, nas ruas, na televisão e nos demais meios de comunicação de massa para promover a sensibilização de todos no ato de se prevenir usando Camisinha no ato sexual. Esse ato é condição Sine Qua Non.


Origens de uma doença mortal descoberta em 1984, a aids já agia na África no começo do século 20.


O ano é 1900. Um homem com ferimentos abertos pela vegetação da selva da África procura sua caça no sudeste de Camarões. Sem dificuldades, encontra e captura um chimpanzé. Enquanto tenta escapar, o animal morde o agressor. O caçador abate o primata com uma faca, joga a presa ensangüentada sobre os ombros, também cheios de feridas, e segue seu caminho. Ele nem imagina, mas é uma das pessoas que carregam no sangue as primeiras infecções do SIV, o vírus da imunodeficiência dos símios. A variação desse organismo em humanos, o HIV, provocaria a doença que se chamaria aids (síndrome da imunoautodeficiência adquirida) e desencadearia uma verdadeira epidemia. Muito antes de ser descoberto, há 25 anos, o vírus passaria várias décadas provocando mortes sem causa definida. Hoje alguns passos dessa trajetória são conhecidos.


Nos primeiros anos do século 20, macacos contaminados eram carregados por comerciantes que desciam o rio Sangua, afluente do rio Congo, até a feira de Leopoldville (atual Kinshasa, na República do Congo). Ali, os comerciantes contaminados pelas primeiras mutações do SIV em HIV gastavam seu dinheiro com as prostitutas locais. "Assim, o vírus do chimpanzé, já presente no sangue de humanos, ganhou a capacidade de atingir outras pessoas pela relação sexual", diz o médico infectologista Stefan Cunha Ujvari, autor de A História da Humanidade Contada pelos Vírus. "A prostituição e os estupros durante as guerras de independência na África espalharam a doença, que ao longo do tempo foi confundida com muitas outras, como pneunomia e anemia profunda."


A disseminação para fora da África começou na década de 60. A guerra de independência de Guiné-Bissau levou uma onda de refugiados para Gâmbia, Senegal e Cabo Verde - e deste último país partiram pessoas infectadas para a Europa. O primeiro caso nas Américas foi registrado em 1978, no Haiti. No Brasil, a doença surgiu em 1981 e já tirou a vida de 190 mil pessoas.


Desde que foi identificada, a aids deixou cerca de 25 milhões de vítimas fatais. Atualmente, existem aproximadamente 33 milhões de portadores, mas a situação já é muito mais promissora. Ainda que a cura não tenha sido encontrada, a combinação de medicamentos descobertos nos últimos anos permite que o paciente tenha uma vida mais confortável.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

Copa do Mundo 2010




Por Ad. Júnior


A Copa do Mundo está chegando, a parada agora é a África do Sul, País marcado historicamente pelo regime de segregação racial, pela exuberância ecológica e principalmente por seus problemas sociais de diversas naturezas.


Aqui, do outro lado do atlântico, milhões de brasileiros de todas as classes e etnias estarão unidos torcendo em prol de uma seleção que possui como objetivo trazer o Hexa-campeonato Mundial para o País.


Por outro lado, o técnico da seleção brasileira (“magnífico” Dom Dunga Quixote) já convocou seus 23 fies- escudeiros (Sancho Panças) que estarão em mais uma “cruzada” em busca do tão sonhado título.


Mas a questão que permeia este assunto é a dita coerência-incoerência de nosso técnico em convocar seus jogadores. A impressa e o povo queriam ver Ganso, Neymar e Ronaldinho Gaúcho. Doce Ilusão, pois, o que vimos foram Grafite, Josué, Júlio Batista. Pode isso? Se ser coerente é levar jogadores de pequeno porte para uma copa do mundo. Então, o que é ter coerência?


No entanto, vamos esperar para ver. Vai que dar certo. Se não der, temos que observar lentamente as ruínas do nosso querido Dom Quixote ser vencido pelo seu inimigo Branca Lua por insistir em suas quimeras imortais.



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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Gíria Vermelha


Por Ad. Júnior


O GÍRIA VERMELHA é um grupo de Hip Hop de São Luiz do Maranhão definidos como uma organização NEGRA, SOCIALISTA E REVOLUCIONÁRIA! Negra-por entender que o problema do Brasil não é meramente de classe, mas também racial. Socialista por entender que só através da superação do capitalismo e com a implatação de uma sociedade socialista para pode alcançar uma nova, justa e igualitaria sociedade: o comunismo. Revolucionária por enterder que muitos que se denominam socialista, optam por uma conciliaçao de classes e acabam por fazer o jogo da elite e esquecem que só com uma revolução as coisas mudam.

Através disso resolvi colocar uma musica deles que representa bem a politização deste grupo. Na transcrição talvez haja algum erro, omissão ou coisa do tipo, quem for o autor e puder corrigir ficarei grato.


*GÍRIA VERMELHA

*O FLAUTISTA E A RATARIA

O velho flautista sanguinário está de volta
e a rataria reunida em sua volta
pra blindar o sangue negro em seus cristais,
pra transformar nossas riquezas em seus quintais.

Como um demônio, ele, lá do fundo do esgoto;
no senado ele é o chefão mais poderoso.
Ele sola o sofrimento que magoa lá no fundo,
ratos e mais ratos, como cresce o latifúndio!

O camponês enfurecido precisa romper a cerca,
a Mirante embrutecida xinga as camponesas.
Pelo flautista a rataria é seduzida:
para sua filha o poder puxou do Boizinho Barrica.

Era presente de natal, mas foi de páscoa simplesmente:
o estado embrulhado em papel de presente.
Isso é que é pai! Ferrabrás, super-amigo da filha:
o flautista e a mulher maravilha.

Veja só quantos artistas seguidores:
depois da festa a permissão aos roedores
para encher a pança com as sobras ofertadas no banquete
Butica, macaxeira, chama o flautista de peixe.

Ele é mais, ele quer mais:
dono do mar, do Maranhão,
ele é o cão, é o satanás,
ele é o anjo que o onipotente expulsou do céu,
ele é o fel, ele é a morte, ele é o juiz, você é o réu,
ele é amigo do ex-operário líder do ABC,
ele é do PMDB, ele é da base do PT,
ele é o carrasco número um da plebe,
quando ele toca a flauta a rataria toda segue.

Ratos!
Sei que o solo do flautista,
a marcha fúnebre dos pobres,
o maestro da oligarquia.

Ratos!
Dor, sofrimento,
a cor de quem mais sofre
falso juramento.

Eu vejo ratos!
Ratos, eu vejo!

A flauta tem poder,
o fautista é poderoso,
estourando tampas e mais tampas pesadas de esgoto,
infestando a cidade com bandidos, pilantras,
traidores, vigaristas e a filha, a virgindade santa.

Guerreira? Ah, ah, é brincadeira!
Guerreira é a mãe que tampa sem carteira, é carvoeira.
Vê o futuro dos seus filhos jogados ao chão,
sujo de carvão, pulando cancão

Ele é o cão de bigode,
ele é a morte,
é tudo que...
Ele é amigo do João que comandou a operação Tigre,
que matou gente inocente, não bandido grande
como aqueles que compõem sua própria gangue.

Ele é o sangue coagulado, escarrado, em DP
após sessões e mais sessões de tortura em você.
Ele é o choro da mãe preta que ninguém consola,
ele é o pai daquela que deixou seu filho sem escola.

Ele voltou, pois o Lago apodreceu,
ele voltou para o palácio abraçado com Tadeu.
Vai de uísque? Não!
Vai de café? Vai dar fé!
Então pega o Cafeteira e traz pro Zé.

Ele é de fé, eu boto é fé! Não!
Então me escuta, ele é parceiro do basquetebol da CUFA,
mas me chama de bandido, preto louco insano
Eu não preciso usar colete pra ouvido, mano.
Declaro guerra, eu sou favela, eu sou a fera mais ferida!
Não sou rato pra seguir esse tipo de flautista.


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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Paris N'América - Belém do Pará II



Paris N'América - Belém do Pará


Por Ad. Júnior

É impressionante como uma simples caminhada ou uma busca por algum produto pelo centro comercial de Belém do Pará pode nos mostrar uma verdadeira aula de História. Embora deve-se ressaltar que é preciso desviar e driblar os olhares para não depararmos com alguma barraca ou alguma loja que tomou conta do centro histórico de Belém. Uma simples e ao mesmo tempo, complicada desorganização do poder público. Enfim, o objetivo aqui é falar, ou melhor, escrever, poetizar, decifrar, declamar, seja lá o que for, sobre um monumento histórico de grande importância não só pela sua beleza, mas também, por sua constituição em um momento histórico significativo para a cidade de Belém. Refiro-me a Paris N'América. Foi fundada em 1870 - primeira empresa a se registrar na Junta Comercial do Pará - constitui-se num dos resquícios mais marcantes da riqueza advinda do ciclo da borracha.

Com alguma generosidade, pode-se notar certa semelhança com o prédio das Galeries Lafayette (uma loja de departamento francesa em Paris). Paris N'América possui a escada principal, em estilo art-nouveau ("arte nova" em francês, foi um estilo estético essencialmente de design e arquitetura que também influenciou o mundo das artes plásticas. Era relacionado com o movimento arts e crafts e que teve grande destaque durante a Belle époque, nas últimas décadas do século XIX e primeiras décadas do século XX) com traços sinuosos e motivos florais, conduz ao mezanino, sustentado por estrutura de ferro inglês.

Infelizmente, nos dias atuais, ela já se incorporou ao nosso jeito Nova Déli de ser. É isso mesmo, pode ser uma comparação tanto quanto grotesca, mas é assim mesmo. É difícil olhar para este monumento e ver que atualmente abriga uma loja de tecidos que aparentemente está sob os olhares do desprezo e da má conservação.

Assim como você vê uma paisagem, uma foto, um filme, e isto lhe trazem lembranças. O monumento histórico serve para você lembrar e refletir sobre o que ali ocorreu ou o que aquilo representa.


quarta-feira, 3 de março de 2010

RESENHA

Por Admarino Júnior e Rafael Santos


DELGADO, Lucília de Almeida Neves Diretas-Já: vozes das cidades. In: FERREIRA, Jorge. REIS FILHO, Daniel Aarão (Orgs). Revolução e democracia, 1964... Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

Diretas-Já:Vozes das cidades procura abordar como ocorreu toda movimentação histórica no Brasil para o restabelecimento das eleições diretas para presidente. Lucília Delgado nos mostra toda a configuração nacional que ocorreu no dia 25 de abril de 1984 e, frisa especialmente, na manifestação das vozes da sociedade brasileira.

Tais vozes significavam o anseio popular por uma transformação política o que conforme Delgado foi o maior movimento cívico-popular da história republicana do Brasil. A campanha Diretas-Já reunião os principais partidos políticos opositores ao regime civil-militar e também, vário setores da sociedade.

Suas principais características, segundo a autora, foram à heterogeneidade (devido o conjunto diverso de agentes históricos envolvidos) e a despersonalização ( relacionado a discordância entre os membros do Comitê Partidário Pró-diretas, uns optavam pela negociação e outros pela ruptura gerando discordâncias nos acordos e ações).

Apesar das divergências existentes, tudo girava em torno de um objetivo principal que era a restauração da democracia e das liberdades no Brasil. Lucilia Delgado aduz sobre a “festa” gerada pela população que tornavam a campanha pelas Diretas cada vez mais consubstanciada, que tornava-se “uma comunhão nacional entre instituições e movimentos populares” (p. 419).

Por mais que a emenda Dante de Oliveira não tenha sido aprovada, o processo histórico concretizado com ela já havia se iniciado. A trajetória política democrática brasileira já não seria interrompida. A década de 80 mostrou uma crescente pressão para redemocratização do país, os acontecimentos nesse período representam a vontade da população brasileira que desta vez não faltou ao encontro.

No dia 26 a turba heterogênea formada por partidos e organizações da sociedade civil se dissolveu, mesmo assim, formar-se-ia pouco tempo depois outra festa na política, quando milhares de brasileiros fazem campanha para eleições indiretas para presidente.

A Ditadura já estava com seus dias contados. Inflação alta, dívida externa exorbitante, desemprego, expunham a crise do sistema. Os militares, ainda no poder, pregavam uma transição democrática lenta, ao passo que perdiam o apoio da sociedade, que insatisfeita, queria o fim do regime o mais rápido possível

Assim, o movimento das Diretas Já ressuscitou a esperança e a coragem da população. Além de poder eleger um representante, a eleição direta sinalizava mudanças também econômicas e sociais. Lideranças estudantis, como a UNE (União Nacional dos Estudantes), sindicatos, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), intelectuais, artistas e religiosos reforçaram o coro pelas Diretas Já.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Avatar, fábula anticolonialista



Além de um bom filme de ficção, Avatar é uma fascinante lição de história. Ao narrar as agruras de um povo nativo de um planeta distante – os na’vi de Pandora – o diretor James Cameron criou, na verdade, uma alegoria de um capítulo muito conhecido da trajetória do nosso próprio mundo: o do colonialismo.


Basta fazer um teste: substitua “Pandora” por “América”, “África” ou “Oceania”; “na’vi” por “incas”, “maias”, “astecas”, “guaranis”, “moicanos”, “iorubás”, “malinkés”, “ibos”, “haussás”, “sussus”, “zulus” ou “maoris”; “povos do céu” por “portugueses”, “espanhóis”, “ingleses”, “franceses”, “holandeses” ou “americanos”.


Tente trocar os termos em qualquer momento em que eles aparecem no filme, e a alegoria fica evidente. Está tudo ali: uma potência estrangeira, militarmente superior, se instala em um ambiente considerado selvagem pelos ocupantes, para explorar os recursos naturais da região. As peculiaridades da vida local são encaradas pelo invasor como manifestações de primitivismo, já que os forasteiros se acham portadores da civilização e do progresso. Qualquer tentativa da população local de proteger sua terra, sua cultura e seus valores é vista pelos colonizadores como um entrave aos interesses econômicos em jogo, e deve ser imediatamente eliminada.


Como o ambiente colonial é hostil ao colonizador, ele obviamente não consegue eliminar de uma hora para a outra a população local. É aí que entram os cientistas, responsáveis por estudar as populações locais e fornecer as informações necessárias para ajudar os militares a penetrar em regiões até então inacessíveis. Por acaso há alguma grande diferença entre a personagem de Sigourney Weaver no filme e os antropólogos europeus que eram enviados às colônias no século XIX para estudar o modo de vida das populações primitivas?


Os paralelos são inúmeros, e se poderia passar um dia inteiro estabelecendo comparações entre a ficção de Cameron e a realidade da Terra nos séculos XVIII, XIX, XX e XXI. Espere... XXI? Sim, e é nesse ponto que a repercussão do filme se torna extremamente interessante. O fato de Avatar ter despertado a ira tanto dos blogs da extrema direita americana quanto das autoridades chinesas diz muito sobre os tempos em que vivemos.


Por ironia do destino, quem denunciou a atualidade e relevância do tema tratado pelo fime foi justamente a direita americana, ao cometer um ato-falho acusando a obra de ser uma crítica velada à Guerra do Iraque. Ora, se James Cameron escreveu esse roteiro há 15 anos, ou seja, em 1994, ele só poderia estar falando da atual Guerra do Iraque se tivesse uma bola de cristal. Talvez ele tivesse em mente a primeira Guerra do Golfo, ou a ação das multinacionais que já naquela época se instalavam no Terceiro Mundo e expulsavam populações locais de seus lares em busca de recursos naturais... Seja como for, tudo isso fica no campo da especulação.


O certo é que, em pleno fim do século XX, o colonialismo continuava muito vivo, a ponto de inspirar um diretor de Hollywood a criar uma fábula sobre o tema. Ao acusar Cameron de produzir um libelo contra a Guerra do Iraque, a direita americana apenas confirma aquilo que vem tentando negar desde 2003: que a invasão do país árabe, desde o começo, nada mais foi do que um empreendimento colonialista em busca de recursos naturais, exatamente como os europeus faziam no século XIX... e eram tão criticados pelos americanos da época.


Por Bruno Fiuza