sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Queijo e os Vermes


Por Ad. Júnior

Ganhei este livro de presente de uma pessoa muito querida (Fernanda Isobe). Um Livro excelente e muito fácil de ler, pois, tem característica de uma descrição literária ou uma obra “novelesca”. Então, mesmo aquelas pessoas que não sejam da área (História) podem se deleitar e se servir a vontade diante de tal obra.

Por conta disso, resolvi colocar uma resenha do livro feita pelo Filipi Garces e que pode ajudar bastante quem deseja saber mais um pouco sobre a saga de um moleiro fugindo da Inquisição. Como diz ou disse o meu finado avô: “Sirvam-se danadamente” e boa Leitura.


GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes: O cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição: São Paulo, Companhia das letras, 2006.


A resenha aqui apresentada refere-se à edição de bolso, que por conseqüência, acaba sendo de fácil manuseio e mais acessível em comparação a um livro normal por estar mais em conta em se tratando de questão financeira.

A história começa no século XVI, retratando a vida de Domenico Scandella, conhecido como Menocchio, um moleiro que foi perseguido pela inquisição por ter uma visão diferente da sua época em relação à igreja. Ele é submetido a uma série de interrogatórios, e neles, vai apresentando suas idéias, e as obras que tomou como ponto de referência. Não levava a Bíblia como idéia universal, e isso contribuiu para os inquisidores o tratarem com um certo receio. O autor mostra diversos livros e artigos no qual Menocchio lera e teria tomado como referencia para suas idéias, embora afirmasse que elas vieram de sua própria cabeça.

Houve uma preocupação entre alguns moradores da aldeia onde morava sobre seu destino. Alertaram-no para não ficar mencionando as suas idéias abertamente, mas foi corajoso o suficiente para não se reprimir perante a inquisição, usando assim, diversos argumentos para defender suas idéias, e uma das principais, foi sobre seu pensamento sobre a singularidade cosmológica, cujo foi a partir daí que Ginzburg teve a idéia do título do livro, na qual afirmava: “No inicio tudo era um caos, isto é, terra, ar, água e fogo juntos, e de todo aquele volume em movimento se formou uma massa, do mesmo modo que o queijo é feito do leite, e do qual surge os vermes, e esses foram os anjos”.

Não menos pretensioso, afirmou que conversar com uma árvore era equivalente a se confessar com um padre. Conta também, alguns relatos de padres canibais que sacrificavam pessoas e comiam suas carnes, e se tivesse bom gosto, era uma pessoa livre de pecados, caso contrário, seria uma pessoa impura e deveria ter morrido antes.

A principal característica do autor nesta obra, é contar uma história em que normalmente muitos passariam despercebidos. Por escrever através da metodologia da micro-história, a principal característica do livro e contar a história de alguém ou algo que não teria uma grande importância na sociedade e sua determinada visão. Apresenta uma história descritiva, mas tendo grande preocupação com a literatura. Mostra uma pequena demonstração da cultura oral, que os camponeses normalmente utilizavam. Na época em que a história se passa, poucos tinham a sorte de saberem ler, então a forma de cultura oral era importante, mas com elas, seria difícil decifrar uma informação, ou se conseguisse, deixaria muitas pistas distorcidas. Por esse e outros motivos, Menocchio achava uma ofensa aos pobres as missas serem rezadas em latim. Menocchio tinha um pensamento formado, mas é indiscutível que se não fosse pela lista de livros que lera, ele não teria metade dessas idéias.

Embora Menocchio fosse um moleiro, não teve medo de expor suas idéias e suas contradições, ao contrário de muitas pessoas da época, que não as colocavam por medo da inquisição, preferindo assim, aceitar os dogmas. Em caso de acusações pela inquisição, era preferido ser chamado de louco para não ser condenado por heresia; foi uma das propostas oferecidas para Menocchio, que corajosamente não aceitou. Num determinado trecho do livro, ele foi submetido a uma tortura, obrigando a confessar suas “heresias”. Uma grande análise pode ser feita em relação a essa tortura, mas vou deixar a surpresa para os leitores.

Podemos ainda perceber que Menocchio se interessava muito pelos assuntos religiosos, tanto que ele tomou como referencia a Bíblia e o Alcorão. Expôs uma teoria de que Jesus era apenas um homem comum, e não aquela figura espiritual que o cristianismo colocava. A cada afirmação, Menocchio se encaixava no caráter deísta, idéia que foi forte no iluminismo.

Em diversos países estava ocorrendo revoltas contra as instituições católicas, e a mesma estava com receio do avanço protestante, talvez acusar Menocchio de protestante seria algo proveitoso para a situação, pois mostraria como os protestantes eram hereges de acordo com a doutrina católica.

O queijo e os vermes é um livro que eu recomendo para todos que possuem certa admiração pela história, em especial a micro-história, pois seu autor, Carlo Ginzburg, é um dos pioneiros dessa visão histórica. É um livro que não pode faltar na estante de nenhum historiador.



quinta-feira, 27 de maio de 2010

AIDS



Por Ad. Júnior

Para tornar este espaço mais dinâmico e participativo, postarei ou pegarei emprestado o texto do nosso colega Ernani Fagundes que nos mostra um pequeno histórico da trajetória da Aids. Uma doença que está se expandindo e que cada vez mais precisamos de movimentos, campanhas, ações educativas nas escolas, nas ruas, na televisão e nos demais meios de comunicação de massa para promover a sensibilização de todos no ato de se prevenir usando Camisinha no ato sexual. Esse ato é condição Sine Qua Non.


Origens de uma doença mortal descoberta em 1984, a aids já agia na África no começo do século 20.


O ano é 1900. Um homem com ferimentos abertos pela vegetação da selva da África procura sua caça no sudeste de Camarões. Sem dificuldades, encontra e captura um chimpanzé. Enquanto tenta escapar, o animal morde o agressor. O caçador abate o primata com uma faca, joga a presa ensangüentada sobre os ombros, também cheios de feridas, e segue seu caminho. Ele nem imagina, mas é uma das pessoas que carregam no sangue as primeiras infecções do SIV, o vírus da imunodeficiência dos símios. A variação desse organismo em humanos, o HIV, provocaria a doença que se chamaria aids (síndrome da imunoautodeficiência adquirida) e desencadearia uma verdadeira epidemia. Muito antes de ser descoberto, há 25 anos, o vírus passaria várias décadas provocando mortes sem causa definida. Hoje alguns passos dessa trajetória são conhecidos.


Nos primeiros anos do século 20, macacos contaminados eram carregados por comerciantes que desciam o rio Sangua, afluente do rio Congo, até a feira de Leopoldville (atual Kinshasa, na República do Congo). Ali, os comerciantes contaminados pelas primeiras mutações do SIV em HIV gastavam seu dinheiro com as prostitutas locais. "Assim, o vírus do chimpanzé, já presente no sangue de humanos, ganhou a capacidade de atingir outras pessoas pela relação sexual", diz o médico infectologista Stefan Cunha Ujvari, autor de A História da Humanidade Contada pelos Vírus. "A prostituição e os estupros durante as guerras de independência na África espalharam a doença, que ao longo do tempo foi confundida com muitas outras, como pneunomia e anemia profunda."


A disseminação para fora da África começou na década de 60. A guerra de independência de Guiné-Bissau levou uma onda de refugiados para Gâmbia, Senegal e Cabo Verde - e deste último país partiram pessoas infectadas para a Europa. O primeiro caso nas Américas foi registrado em 1978, no Haiti. No Brasil, a doença surgiu em 1981 e já tirou a vida de 190 mil pessoas.


Desde que foi identificada, a aids deixou cerca de 25 milhões de vítimas fatais. Atualmente, existem aproximadamente 33 milhões de portadores, mas a situação já é muito mais promissora. Ainda que a cura não tenha sido encontrada, a combinação de medicamentos descobertos nos últimos anos permite que o paciente tenha uma vida mais confortável.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

Copa do Mundo 2010




Por Ad. Júnior


A Copa do Mundo está chegando, a parada agora é a África do Sul, País marcado historicamente pelo regime de segregação racial, pela exuberância ecológica e principalmente por seus problemas sociais de diversas naturezas.


Aqui, do outro lado do atlântico, milhões de brasileiros de todas as classes e etnias estarão unidos torcendo em prol de uma seleção que possui como objetivo trazer o Hexa-campeonato Mundial para o País.


Por outro lado, o técnico da seleção brasileira (“magnífico” Dom Dunga Quixote) já convocou seus 23 fies- escudeiros (Sancho Panças) que estarão em mais uma “cruzada” em busca do tão sonhado título.


Mas a questão que permeia este assunto é a dita coerência-incoerência de nosso técnico em convocar seus jogadores. A impressa e o povo queriam ver Ganso, Neymar e Ronaldinho Gaúcho. Doce Ilusão, pois, o que vimos foram Grafite, Josué, Júlio Batista. Pode isso? Se ser coerente é levar jogadores de pequeno porte para uma copa do mundo. Então, o que é ter coerência?


No entanto, vamos esperar para ver. Vai que dar certo. Se não der, temos que observar lentamente as ruínas do nosso querido Dom Quixote ser vencido pelo seu inimigo Branca Lua por insistir em suas quimeras imortais.



..............

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Gíria Vermelha


Por Ad. Júnior


O GÍRIA VERMELHA é um grupo de Hip Hop de São Luiz do Maranhão definidos como uma organização NEGRA, SOCIALISTA E REVOLUCIONÁRIA! Negra-por entender que o problema do Brasil não é meramente de classe, mas também racial. Socialista por entender que só através da superação do capitalismo e com a implatação de uma sociedade socialista para pode alcançar uma nova, justa e igualitaria sociedade: o comunismo. Revolucionária por enterder que muitos que se denominam socialista, optam por uma conciliaçao de classes e acabam por fazer o jogo da elite e esquecem que só com uma revolução as coisas mudam.

Através disso resolvi colocar uma musica deles que representa bem a politização deste grupo. Na transcrição talvez haja algum erro, omissão ou coisa do tipo, quem for o autor e puder corrigir ficarei grato.


*GÍRIA VERMELHA

*O FLAUTISTA E A RATARIA

O velho flautista sanguinário está de volta
e a rataria reunida em sua volta
pra blindar o sangue negro em seus cristais,
pra transformar nossas riquezas em seus quintais.

Como um demônio, ele, lá do fundo do esgoto;
no senado ele é o chefão mais poderoso.
Ele sola o sofrimento que magoa lá no fundo,
ratos e mais ratos, como cresce o latifúndio!

O camponês enfurecido precisa romper a cerca,
a Mirante embrutecida xinga as camponesas.
Pelo flautista a rataria é seduzida:
para sua filha o poder puxou do Boizinho Barrica.

Era presente de natal, mas foi de páscoa simplesmente:
o estado embrulhado em papel de presente.
Isso é que é pai! Ferrabrás, super-amigo da filha:
o flautista e a mulher maravilha.

Veja só quantos artistas seguidores:
depois da festa a permissão aos roedores
para encher a pança com as sobras ofertadas no banquete
Butica, macaxeira, chama o flautista de peixe.

Ele é mais, ele quer mais:
dono do mar, do Maranhão,
ele é o cão, é o satanás,
ele é o anjo que o onipotente expulsou do céu,
ele é o fel, ele é a morte, ele é o juiz, você é o réu,
ele é amigo do ex-operário líder do ABC,
ele é do PMDB, ele é da base do PT,
ele é o carrasco número um da plebe,
quando ele toca a flauta a rataria toda segue.

Ratos!
Sei que o solo do flautista,
a marcha fúnebre dos pobres,
o maestro da oligarquia.

Ratos!
Dor, sofrimento,
a cor de quem mais sofre
falso juramento.

Eu vejo ratos!
Ratos, eu vejo!

A flauta tem poder,
o fautista é poderoso,
estourando tampas e mais tampas pesadas de esgoto,
infestando a cidade com bandidos, pilantras,
traidores, vigaristas e a filha, a virgindade santa.

Guerreira? Ah, ah, é brincadeira!
Guerreira é a mãe que tampa sem carteira, é carvoeira.
Vê o futuro dos seus filhos jogados ao chão,
sujo de carvão, pulando cancão

Ele é o cão de bigode,
ele é a morte,
é tudo que...
Ele é amigo do João que comandou a operação Tigre,
que matou gente inocente, não bandido grande
como aqueles que compõem sua própria gangue.

Ele é o sangue coagulado, escarrado, em DP
após sessões e mais sessões de tortura em você.
Ele é o choro da mãe preta que ninguém consola,
ele é o pai daquela que deixou seu filho sem escola.

Ele voltou, pois o Lago apodreceu,
ele voltou para o palácio abraçado com Tadeu.
Vai de uísque? Não!
Vai de café? Vai dar fé!
Então pega o Cafeteira e traz pro Zé.

Ele é de fé, eu boto é fé! Não!
Então me escuta, ele é parceiro do basquetebol da CUFA,
mas me chama de bandido, preto louco insano
Eu não preciso usar colete pra ouvido, mano.
Declaro guerra, eu sou favela, eu sou a fera mais ferida!
Não sou rato pra seguir esse tipo de flautista.


_____

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Paris N'América - Belém do Pará II



Paris N'América - Belém do Pará


Por Ad. Júnior

É impressionante como uma simples caminhada ou uma busca por algum produto pelo centro comercial de Belém do Pará pode nos mostrar uma verdadeira aula de História. Embora deve-se ressaltar que é preciso desviar e driblar os olhares para não depararmos com alguma barraca ou alguma loja que tomou conta do centro histórico de Belém. Uma simples e ao mesmo tempo, complicada desorganização do poder público. Enfim, o objetivo aqui é falar, ou melhor, escrever, poetizar, decifrar, declamar, seja lá o que for, sobre um monumento histórico de grande importância não só pela sua beleza, mas também, por sua constituição em um momento histórico significativo para a cidade de Belém. Refiro-me a Paris N'América. Foi fundada em 1870 - primeira empresa a se registrar na Junta Comercial do Pará - constitui-se num dos resquícios mais marcantes da riqueza advinda do ciclo da borracha.

Com alguma generosidade, pode-se notar certa semelhança com o prédio das Galeries Lafayette (uma loja de departamento francesa em Paris). Paris N'América possui a escada principal, em estilo art-nouveau ("arte nova" em francês, foi um estilo estético essencialmente de design e arquitetura que também influenciou o mundo das artes plásticas. Era relacionado com o movimento arts e crafts e que teve grande destaque durante a Belle époque, nas últimas décadas do século XIX e primeiras décadas do século XX) com traços sinuosos e motivos florais, conduz ao mezanino, sustentado por estrutura de ferro inglês.

Infelizmente, nos dias atuais, ela já se incorporou ao nosso jeito Nova Déli de ser. É isso mesmo, pode ser uma comparação tanto quanto grotesca, mas é assim mesmo. É difícil olhar para este monumento e ver que atualmente abriga uma loja de tecidos que aparentemente está sob os olhares do desprezo e da má conservação.

Assim como você vê uma paisagem, uma foto, um filme, e isto lhe trazem lembranças. O monumento histórico serve para você lembrar e refletir sobre o que ali ocorreu ou o que aquilo representa.