quinta-feira, 20 de maio de 2010

Copa do Mundo 2010




Por Ad. Júnior


A Copa do Mundo está chegando, a parada agora é a África do Sul, País marcado historicamente pelo regime de segregação racial, pela exuberância ecológica e principalmente por seus problemas sociais de diversas naturezas.


Aqui, do outro lado do atlântico, milhões de brasileiros de todas as classes e etnias estarão unidos torcendo em prol de uma seleção que possui como objetivo trazer o Hexa-campeonato Mundial para o País.


Por outro lado, o técnico da seleção brasileira (“magnífico” Dom Dunga Quixote) já convocou seus 23 fies- escudeiros (Sancho Panças) que estarão em mais uma “cruzada” em busca do tão sonhado título.


Mas a questão que permeia este assunto é a dita coerência-incoerência de nosso técnico em convocar seus jogadores. A impressa e o povo queriam ver Ganso, Neymar e Ronaldinho Gaúcho. Doce Ilusão, pois, o que vimos foram Grafite, Josué, Júlio Batista. Pode isso? Se ser coerente é levar jogadores de pequeno porte para uma copa do mundo. Então, o que é ter coerência?


No entanto, vamos esperar para ver. Vai que dar certo. Se não der, temos que observar lentamente as ruínas do nosso querido Dom Quixote ser vencido pelo seu inimigo Branca Lua por insistir em suas quimeras imortais.



..............

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Gíria Vermelha


Por Ad. Júnior


O GÍRIA VERMELHA é um grupo de Hip Hop de São Luiz do Maranhão definidos como uma organização NEGRA, SOCIALISTA E REVOLUCIONÁRIA! Negra-por entender que o problema do Brasil não é meramente de classe, mas também racial. Socialista por entender que só através da superação do capitalismo e com a implatação de uma sociedade socialista para pode alcançar uma nova, justa e igualitaria sociedade: o comunismo. Revolucionária por enterder que muitos que se denominam socialista, optam por uma conciliaçao de classes e acabam por fazer o jogo da elite e esquecem que só com uma revolução as coisas mudam.

Através disso resolvi colocar uma musica deles que representa bem a politização deste grupo. Na transcrição talvez haja algum erro, omissão ou coisa do tipo, quem for o autor e puder corrigir ficarei grato.


*GÍRIA VERMELHA

*O FLAUTISTA E A RATARIA

O velho flautista sanguinário está de volta
e a rataria reunida em sua volta
pra blindar o sangue negro em seus cristais,
pra transformar nossas riquezas em seus quintais.

Como um demônio, ele, lá do fundo do esgoto;
no senado ele é o chefão mais poderoso.
Ele sola o sofrimento que magoa lá no fundo,
ratos e mais ratos, como cresce o latifúndio!

O camponês enfurecido precisa romper a cerca,
a Mirante embrutecida xinga as camponesas.
Pelo flautista a rataria é seduzida:
para sua filha o poder puxou do Boizinho Barrica.

Era presente de natal, mas foi de páscoa simplesmente:
o estado embrulhado em papel de presente.
Isso é que é pai! Ferrabrás, super-amigo da filha:
o flautista e a mulher maravilha.

Veja só quantos artistas seguidores:
depois da festa a permissão aos roedores
para encher a pança com as sobras ofertadas no banquete
Butica, macaxeira, chama o flautista de peixe.

Ele é mais, ele quer mais:
dono do mar, do Maranhão,
ele é o cão, é o satanás,
ele é o anjo que o onipotente expulsou do céu,
ele é o fel, ele é a morte, ele é o juiz, você é o réu,
ele é amigo do ex-operário líder do ABC,
ele é do PMDB, ele é da base do PT,
ele é o carrasco número um da plebe,
quando ele toca a flauta a rataria toda segue.

Ratos!
Sei que o solo do flautista,
a marcha fúnebre dos pobres,
o maestro da oligarquia.

Ratos!
Dor, sofrimento,
a cor de quem mais sofre
falso juramento.

Eu vejo ratos!
Ratos, eu vejo!

A flauta tem poder,
o fautista é poderoso,
estourando tampas e mais tampas pesadas de esgoto,
infestando a cidade com bandidos, pilantras,
traidores, vigaristas e a filha, a virgindade santa.

Guerreira? Ah, ah, é brincadeira!
Guerreira é a mãe que tampa sem carteira, é carvoeira.
Vê o futuro dos seus filhos jogados ao chão,
sujo de carvão, pulando cancão

Ele é o cão de bigode,
ele é a morte,
é tudo que...
Ele é amigo do João que comandou a operação Tigre,
que matou gente inocente, não bandido grande
como aqueles que compõem sua própria gangue.

Ele é o sangue coagulado, escarrado, em DP
após sessões e mais sessões de tortura em você.
Ele é o choro da mãe preta que ninguém consola,
ele é o pai daquela que deixou seu filho sem escola.

Ele voltou, pois o Lago apodreceu,
ele voltou para o palácio abraçado com Tadeu.
Vai de uísque? Não!
Vai de café? Vai dar fé!
Então pega o Cafeteira e traz pro Zé.

Ele é de fé, eu boto é fé! Não!
Então me escuta, ele é parceiro do basquetebol da CUFA,
mas me chama de bandido, preto louco insano
Eu não preciso usar colete pra ouvido, mano.
Declaro guerra, eu sou favela, eu sou a fera mais ferida!
Não sou rato pra seguir esse tipo de flautista.


_____

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Paris N'América - Belém do Pará II



Paris N'América - Belém do Pará


Por Ad. Júnior

É impressionante como uma simples caminhada ou uma busca por algum produto pelo centro comercial de Belém do Pará pode nos mostrar uma verdadeira aula de História. Embora deve-se ressaltar que é preciso desviar e driblar os olhares para não depararmos com alguma barraca ou alguma loja que tomou conta do centro histórico de Belém. Uma simples e ao mesmo tempo, complicada desorganização do poder público. Enfim, o objetivo aqui é falar, ou melhor, escrever, poetizar, decifrar, declamar, seja lá o que for, sobre um monumento histórico de grande importância não só pela sua beleza, mas também, por sua constituição em um momento histórico significativo para a cidade de Belém. Refiro-me a Paris N'América. Foi fundada em 1870 - primeira empresa a se registrar na Junta Comercial do Pará - constitui-se num dos resquícios mais marcantes da riqueza advinda do ciclo da borracha.

Com alguma generosidade, pode-se notar certa semelhança com o prédio das Galeries Lafayette (uma loja de departamento francesa em Paris). Paris N'América possui a escada principal, em estilo art-nouveau ("arte nova" em francês, foi um estilo estético essencialmente de design e arquitetura que também influenciou o mundo das artes plásticas. Era relacionado com o movimento arts e crafts e que teve grande destaque durante a Belle époque, nas últimas décadas do século XIX e primeiras décadas do século XX) com traços sinuosos e motivos florais, conduz ao mezanino, sustentado por estrutura de ferro inglês.

Infelizmente, nos dias atuais, ela já se incorporou ao nosso jeito Nova Déli de ser. É isso mesmo, pode ser uma comparação tanto quanto grotesca, mas é assim mesmo. É difícil olhar para este monumento e ver que atualmente abriga uma loja de tecidos que aparentemente está sob os olhares do desprezo e da má conservação.

Assim como você vê uma paisagem, uma foto, um filme, e isto lhe trazem lembranças. O monumento histórico serve para você lembrar e refletir sobre o que ali ocorreu ou o que aquilo representa.


quarta-feira, 3 de março de 2010

RESENHA

Por Admarino Júnior e Rafael Santos


DELGADO, Lucília de Almeida Neves Diretas-Já: vozes das cidades. In: FERREIRA, Jorge. REIS FILHO, Daniel Aarão (Orgs). Revolução e democracia, 1964... Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

Diretas-Já:Vozes das cidades procura abordar como ocorreu toda movimentação histórica no Brasil para o restabelecimento das eleições diretas para presidente. Lucília Delgado nos mostra toda a configuração nacional que ocorreu no dia 25 de abril de 1984 e, frisa especialmente, na manifestação das vozes da sociedade brasileira.

Tais vozes significavam o anseio popular por uma transformação política o que conforme Delgado foi o maior movimento cívico-popular da história republicana do Brasil. A campanha Diretas-Já reunião os principais partidos políticos opositores ao regime civil-militar e também, vário setores da sociedade.

Suas principais características, segundo a autora, foram à heterogeneidade (devido o conjunto diverso de agentes históricos envolvidos) e a despersonalização ( relacionado a discordância entre os membros do Comitê Partidário Pró-diretas, uns optavam pela negociação e outros pela ruptura gerando discordâncias nos acordos e ações).

Apesar das divergências existentes, tudo girava em torno de um objetivo principal que era a restauração da democracia e das liberdades no Brasil. Lucilia Delgado aduz sobre a “festa” gerada pela população que tornavam a campanha pelas Diretas cada vez mais consubstanciada, que tornava-se “uma comunhão nacional entre instituições e movimentos populares” (p. 419).

Por mais que a emenda Dante de Oliveira não tenha sido aprovada, o processo histórico concretizado com ela já havia se iniciado. A trajetória política democrática brasileira já não seria interrompida. A década de 80 mostrou uma crescente pressão para redemocratização do país, os acontecimentos nesse período representam a vontade da população brasileira que desta vez não faltou ao encontro.

No dia 26 a turba heterogênea formada por partidos e organizações da sociedade civil se dissolveu, mesmo assim, formar-se-ia pouco tempo depois outra festa na política, quando milhares de brasileiros fazem campanha para eleições indiretas para presidente.

A Ditadura já estava com seus dias contados. Inflação alta, dívida externa exorbitante, desemprego, expunham a crise do sistema. Os militares, ainda no poder, pregavam uma transição democrática lenta, ao passo que perdiam o apoio da sociedade, que insatisfeita, queria o fim do regime o mais rápido possível

Assim, o movimento das Diretas Já ressuscitou a esperança e a coragem da população. Além de poder eleger um representante, a eleição direta sinalizava mudanças também econômicas e sociais. Lideranças estudantis, como a UNE (União Nacional dos Estudantes), sindicatos, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), intelectuais, artistas e religiosos reforçaram o coro pelas Diretas Já.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Avatar, fábula anticolonialista



Além de um bom filme de ficção, Avatar é uma fascinante lição de história. Ao narrar as agruras de um povo nativo de um planeta distante – os na’vi de Pandora – o diretor James Cameron criou, na verdade, uma alegoria de um capítulo muito conhecido da trajetória do nosso próprio mundo: o do colonialismo.


Basta fazer um teste: substitua “Pandora” por “América”, “África” ou “Oceania”; “na’vi” por “incas”, “maias”, “astecas”, “guaranis”, “moicanos”, “iorubás”, “malinkés”, “ibos”, “haussás”, “sussus”, “zulus” ou “maoris”; “povos do céu” por “portugueses”, “espanhóis”, “ingleses”, “franceses”, “holandeses” ou “americanos”.


Tente trocar os termos em qualquer momento em que eles aparecem no filme, e a alegoria fica evidente. Está tudo ali: uma potência estrangeira, militarmente superior, se instala em um ambiente considerado selvagem pelos ocupantes, para explorar os recursos naturais da região. As peculiaridades da vida local são encaradas pelo invasor como manifestações de primitivismo, já que os forasteiros se acham portadores da civilização e do progresso. Qualquer tentativa da população local de proteger sua terra, sua cultura e seus valores é vista pelos colonizadores como um entrave aos interesses econômicos em jogo, e deve ser imediatamente eliminada.


Como o ambiente colonial é hostil ao colonizador, ele obviamente não consegue eliminar de uma hora para a outra a população local. É aí que entram os cientistas, responsáveis por estudar as populações locais e fornecer as informações necessárias para ajudar os militares a penetrar em regiões até então inacessíveis. Por acaso há alguma grande diferença entre a personagem de Sigourney Weaver no filme e os antropólogos europeus que eram enviados às colônias no século XIX para estudar o modo de vida das populações primitivas?


Os paralelos são inúmeros, e se poderia passar um dia inteiro estabelecendo comparações entre a ficção de Cameron e a realidade da Terra nos séculos XVIII, XIX, XX e XXI. Espere... XXI? Sim, e é nesse ponto que a repercussão do filme se torna extremamente interessante. O fato de Avatar ter despertado a ira tanto dos blogs da extrema direita americana quanto das autoridades chinesas diz muito sobre os tempos em que vivemos.


Por ironia do destino, quem denunciou a atualidade e relevância do tema tratado pelo fime foi justamente a direita americana, ao cometer um ato-falho acusando a obra de ser uma crítica velada à Guerra do Iraque. Ora, se James Cameron escreveu esse roteiro há 15 anos, ou seja, em 1994, ele só poderia estar falando da atual Guerra do Iraque se tivesse uma bola de cristal. Talvez ele tivesse em mente a primeira Guerra do Golfo, ou a ação das multinacionais que já naquela época se instalavam no Terceiro Mundo e expulsavam populações locais de seus lares em busca de recursos naturais... Seja como for, tudo isso fica no campo da especulação.


O certo é que, em pleno fim do século XX, o colonialismo continuava muito vivo, a ponto de inspirar um diretor de Hollywood a criar uma fábula sobre o tema. Ao acusar Cameron de produzir um libelo contra a Guerra do Iraque, a direita americana apenas confirma aquilo que vem tentando negar desde 2003: que a invasão do país árabe, desde o começo, nada mais foi do que um empreendimento colonialista em busca de recursos naturais, exatamente como os europeus faziam no século XIX... e eram tão criticados pelos americanos da época.


Por Bruno Fiuza

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Os meninos desvalidos

Por Admarino Júnior

Em decorrência da ausência plena dos próprios autores e co-autores deste espaço de debate e discussão referente ao conhecimento Histórico, eu, sendo membro efetivo e afetivo dos Goliardos, talvez o “líder” deste grupo que vem crescendo a cada dia, estou disposto a fazer algumas considerações sobre as minhas labutas intelectuais.

No geral, estamos atravessando o chamado rio mitológico Grego Aqueronte para chegarmos ao então sonhado Campos Elíseos e, por conseguinte, completarmos uma etapa importante de nossas vidas acadêmicas como graduando do curso de História na Universidade Federal do Pará. Estou fazendo alusão ao nosso trabalho de conclusão de curso que está iniciando neste mês de setembro e que estará presente em nossas vidas futuras.

Para inicio de conversa, o tema escolhido para a apresentação do meu projeto, antes de tudo, parte de uma premissa maior que passou a ser fundamental na História a partir de 1929 com a Revolução Francesa na historiografia promovida pelos historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre, que proporcionaram um fazer histórico inovador que contrapunha aos positivistas e historicistas do século XIX. Além disso, contemporaneamente, esta premissa é observada sobre o olhar do Historiador Inglês Eric Hobsbawn. Refiro-me à idéia de que o historiador constrói o passado a partir do presente. Isto é, nós problematizamos e [re]construímos o passado partindo dos problemas do presente.

Vou explicitar melhor esta premissa com o tema que escolhi para o projeto. Diversas vezes andando pelas ruas e praças de Belém do Pará, deparei-me com diversas cenas intrigantes. Entre elas, está a de meninos pobres nas ruas e nos trânsitos pedindo esmolas ou qualquer mantimento para suprir suas necessidades, vivendo em condições miseráveis, sub-humanas e sem amparo e assistência do estado.

Com isso veio-me à idéia de como foi a tratado pelos governantes e pela elite dirigente as políticas públicas para “proteger” ou auxiliar os meninos ou crianças pobres e desvalidas do século XIX em Belém do Pará. E qual a idéia de infância que permeava na sociedade Belenense daquele período.

Haja vista que, inicialmente, partir do aporte teórico baseado no trabalho do Historiador Francês Philippe Áries, em sua obra “História social da criança e da Família” discorrendo que a idéia de infância é uma noção historicamente construída. Isto é, ao logo do tempo as transformações sociais são tão intensas que repercute na ação dos próprios sujeitos históricos, neste caso, as crianças.

Através disso, surge a minha problemática do passado: como ocorreu a configuração ideológica do estado e suas atuações de políticas públicas para a inserção de meninos desvalidos da fortuna para adquirir hábitos de trabalho profícuo, que os afastará da ociosidade, do vício e do crime.

Assim delimitei algumas coisas, entretanto, ainda falta reconfigurar o recorte histórico pretendido no projeto de minha pesquisa. Por conseguinte, o tema delimitado para a pesquisa será exposto aqui a “todos os simpatizante de nossa fé” (conhecimento histórico):

A EDUCAÇÃO DOS MENINOS DESVALIDOS DA FORTUNA EM BELÉM DO PARÁ – SÉCULO XIX

...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009



O LEITOR

BERNHARD SCHLINK


Não raro, a literatura, mesmo a de ficção, tem o poder de melhor problematizar o passado do que a própria escrita da história. A afirmação é bastante forte (e também polêmica), mas, no fundo, bastante verdadeira. O caso de "O Leitor" (The Reader), de Bernhard Schinlk, é um bom exemplo.

Na ainda destroçada Alemanha dos anos 1950, o adolescente Michael Berg conhece Hannah, mulher vinte anos mais velha, com quem inicia um caso amoroso. A relação dos dois é marcada pela descoberta do sexo, do mundo da literatura e por diversos mistérios. Michael e Hannah parecem viver apenas o presente. O passado fica no passado. Certo dia, Hannah deixa Michael sem nenhuma pista sobre o seu paradeiro. Michael sofre, consegue tocar sua vida, mas sempre se pergunta se havia feito alguma coisa errado. Teria ele traído a confiança sua amada?

Anos depois, os dois se reencontram, mas em um contexto muito diferente. Ele, como estudante de Direito que acompanha um julgamento sobre crimes de guerra. Ela, no banco dos réus, acusada de atrocidades em um campo de concentração nazista. Hannah parece não se defender corretamente. Omite informações, perde oportunidades para atenuar sua sentença. Pouco a pouco Michael descobre o motivo: Hannah guarda um grande segredo, do qual Michael tomara contato anos antes, mesmo sem se dar conta.

A partir daí, Michael passa a ser atormentado por diversas questões: deve ele contar para o juiz o que sabe, mesmo correndo o risco de trair a confiança de Hannah, que parece querer manter o sigilo? Como conciliar o seu amor por Hannah com o fato de ela ter sido guarda de prisão em um tempo tão tenebroso da história?

"O Leitor" é um livro de múltiplas camadas e nuances. Na Alemanha e em outros países onde o livro foi traduzido, sua leitura chegou a causar mal-estar, já que fora equivocadamente lido como uma defesa de uma criminosa nazista. Na verdade, o livro não é nada disso, mas sim uma obra complexa sobre amor, vergonha, piedade e, sobretudo, as feridas de uma geração, a ambivalência e os medos dos seres-humanos. O livro de Schlink escapa do lugar-comum de obras sobre o Holocausto. Ao invés de culpa - coletiva ou condenações, os personagens não justificam seus erros, mas os reconhecem e, com base neles, estabelecem relações tensas e conflituosas, algo que está muito mais próxima de nossa realidade.

Escrito com grande sensibilidade e estética fina, "O Leitor" ganhou uma adaptação também muito boa para o cinema. Acompanhar Michael é uma missão solitária, mas não melancólica. É uma vida que busca libertação, que busca compreender o outro e a si mesmo, uma luta pelo direito de viver.

Em certo momento do livro, ao refletir sobre a própria geração, Michael (no fundo, Schlink) afirma para si mesmo: "Não devemos ter a pretensão de compreender o que e incompreensível, não temos o direto de comparar o que é incomparável, não temos o direito de investigar, porque quem investiga, mesmo sem colocar nas perguntas as atrocidades, faz delas objeto da comunicação, não as tomando algo diante do que só se pode emudecer, horrorizado, envergonhado e culpado."

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Diário de um "professor".

Por Romyel Cecim.



Faço parte de um projeto da Univerisade Federal do Pará, elaborado pelo professor Mestre José de Moraes, que objetiva o ensino de jovens e adultos através de uma dinâmica de interdisciplinaridade, dando ênfase também para a abordagem de assuntos relacionados com o cotidiano dos alunos, como a vida rural e as relações sócio-ambientais.
Deste modo postarei um diário cujo contúdo expressará minha relação e aprendizado com os alunos do EJA (educação de jovens e adultos) da escola Teodomira Lima no município de Bragança, Pará.

RELATÓRIO SOBRE AS AULAS NO TEODOMIRA LIMA, PELO PROJETO DE                                                                                       INTERDISCIPLINARIDADE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ.

 

 

1ºDia: 27/04/2009

Neste primeiro dia de participação nas aulas do EJA (Educação de Jovens e Adultos), na Escola Estadual Teodomira Lima, na turma da professora Ruth, me deparei com uma turma um tanto quanto interessante para minha mente fechada de aluno universitário, acostumado ás salas de aulas tradicionais. Lá me deparei com  crianças, jovens, adultos e idosos compartilhando o mesmo espaço e a mesma mestra. Após alguns minutos de um aguçado olhar de minha parte para com os alunos, a professora chegou e iniciou sua aula com uma oração. Após a oração, a mesma me apresentou para a turma intitulando-me como professor de História.

Apresentei-me á todos e expliquei o objetivo do projeto elaborado pelo professor José de Moraes, que corresponde á uma forma de ensino de jovens e adultos de uma forma diferenciada: abordando temas pelas óticas de várias disciplinas e interligando-as tentando provar que, assim como na vida, a educação não existe de forma isolada em blocos, mas sim de forma interativa entre as disciplinas que a compõe. Sempre colocando em sala de aula a realidade dos alunos.

A proposta foi muito bem aceita pelos alunos, mostrando-se empolgados pela oportunidade de serem “pioneiros”, nas palavras do aluno Seu Mário, de uma “revolução” (segundo o senhor Joaquim) no ensino brasileiro. Em seguida, demonstrei através de uma conversa interativa que teve por tema o “corpo humano”, que o assunto podia ser abordado através de diversas disciplinas ou matérias, o que os deixou bastante entusiasmados.

Na busca de uma maior interatividade com os alunos propus que fizéssemos a dinâmica do espelho, que consistiu em apresentá-los á uma “pessoa” em uma sala separada e os alunos deveriam descrever esta pessoa. Na sala havia apenas um espelho e os estudantes deveriam se olhar e pensar no seu próprio corpo e em sua personalidade e em como deveriam melhorar para se tornar pessoas melhores na sociedade em que vivem. Após a observação, todos deram o testemunho sobre sua forma de ver á si próprio, o que me permitiu conhecê-los um pouco melhor.

Para finalizar, dialogamos sobre o nosso corpo e como devemos utilizá-lo para uma melhor convivência em sociedade, de modo que pude perceber como todos são incrivelmente simples e humildes, mas ao mesmo tempo perseverantes e determinados.